terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Janeiro de 2017


Fogo de Artifício Praça do Comércio
1º mês de 2017, o mês do meu aniversário. 21 anos já passados desde a fria madrugada do 10º dia de 1996, maioridade em todo o mundo. O crescer sempre me chateou, desde que me comecei a aperceber que estava prestes a fazer 18 anos, com a responsabilidade que isso implica. Não há nada que possa fazer quanto a isso, apenas me resta aceitar e seguir em frente, um 
dia de cada vez.

O mês não começou da melhor maneira: no primeiro dia do ano, com expectativa de acordar e ir fazer o meu treino longo de domingo, descubro que o esquentador estava avariado. Sem água quente não posso tomar banho, logo não posso ir correr. Esta situação começou a afetar-me profundamente, queria ir correr, queria ir treinar, tinha uma prova no final do mês e queria preparer-me para a fazer.

Passaram-se 3 dias, já batia com a cabeça nas paredes e nem conseguia estudar para as frequências que ainda me faltava ter. Finalmente, na 3ª feira, foi arranjado o esquentador e pude finalmente ir correr. Com vontade de correr, não de treinar, apanhei boleia até Lisboa e corri do Restelo até casa, um treino de rejuvenescimento mental.

Depois disso apenas realizei um treino de séries na 6ª feira e corrida longa de domingo. Primeira semana do ano com apenas 3 treinos, não começou da melhor maneira.

Segunda semana do ano, a ter a última avaliação do primeiro semestre na 2ª e seria último dia de aulas na 3ª. Mas como apenas teria uma avaliação que não pude fazer por ter reprovado num trabalho durante o semestre, já estava em período de férias. Último dia aulas para uns, dia de anos para mim.



E que melhor maneira de celebrar o aniversário! Durmo até às horas que o corpo decide, vou correr ao início da tarde e estou com amigos à noite. Até o sol apareceu para cumprimentar, naqueles que normalmente são os dias mais frios do ano.



No entanto, mal começam as férias, começa a época de estudo para exames. Eu só estudo de noite, o meu cérebro desperta quando estou sozinho, que acaba por apenas acontecer durante a noite. Foram longas horas no alojamento da faculdade, muitas vezes apenas com companhia do segurança de serviço. Num desses dias ainda fui correr quando cheguei a casa, altura em que por vezes me dá mais gozo correr, 2 da manhã, quando está toda a gente a dormir e apenas tenho o som do mar a acompanhar o treino.


Logo no dia a seguir, indo ao Porto para celebrar jantar de aniversário com família e amigos, fui treinar com o Nike Run Club. No final do ano passado, a minha mãe trocou de casa, sendo que passamos para Matosinhos, perto do NorteShopping. Isto permite-me, sempre que esteja no Porto à 5ª feira, ir realizar o treino da Nike, que gosto muito. Seja os percursos, os técnicos que acompanham ou o pessoal que vai treinar, sempre que posso tento ir a esses treinos, até porque os de Lisboa estão bastante longe para lá ir propositadamente.

Esse fim de semana no Porto foi marcado por um outro motivo ainda antes do ano acabar: uma Mega Aula de Body Pump promovida pelo Solinca. Quando andei no ginásio em 2015 adorava fazer aulas, sendo que as que mais gostava eram Body Pump e RPM. Numa outra altura desde que saí do ginásio tive a oportunidade de ir fazer uma aula ao ginásio onde tinha estado, mas agora era uma apresentação de nova coreografia, a número 100. Um eventual à escala mundial, que no Porto teve lugar no Pavilhão Rosa Mota. Cerca de 500 pessoas a bombar Body Pump ao mesmo tempo.

No entanto, o treino de força não é algo a que esteja muito acostumado. Apesar de ir fazendo força de pernas praticamente todos os dias que treino, a carga excessiva do treino que é o Body Pump provocou-me (trouxe de volta) uma contratura no isquiotibial. Um problema que já vinha desde que comecei a treinar em 2014, mas que já estava bem controlada há algum tempo. No dia seguinte ao treino de força até a andar me doía, sentia um nó no músculo, que se sentia ao passar a mão. Foram precisos uns 3 dias de calor com uma bola de libertação de tensão miofascial para melhorar.

A corrida seguinte só foi realizada na 3ª feira, naquela que foi a semana mais fria sentida durante este mês, com as temperaturas a chegar quase a níveis de congelação. Durante esta semana finalmente cortei o cabelo, tal como normalmente tenho usado nos últimos anos. O motivo pelo qual tinha deixado crescer tanto tinha sido, em primeiro lugar, pela peça de teatro que desenvolvi, juntamente com os meus colegas, na cadeira de Artes e Espetáculos, pela minha personagem, e o outro seria uma brincadeira que queria fazer, e ainda tenciono fazer: pintar o cabelo. Talvez seja algo estranho, mas depois da experiência do verão, que ao tentar pintar de loiro acabei com cabelo laranja, achei que seria giro experimentar de alguma cor viva. Pensei em verde, tal como o youtuber JackSepticEye. Por diversos motivos não o pude fazer, pelo que cortei curto, como sempre usei, especialmente pela
praticalidade.

A semana de frio piorou um pouco a minha situação de dificuldade respiratória. Em época de exames, gostando eu de estudar sozinho, ia todos os dias para o alojamento da faculdade estudar. O caminho até lá provocava-me um pouco dificuldade respiratória, mesmo não estando em qualquer esforço cardiorrespiratório. Durante os treinos, mesmo com a gola a cobrir as vias respiratórias, sentia o ar frio a entrar nos pulmões e o treino, por vezes, a ficar difícil.

Um problema que me tem vindo a afetar ocasionalmente, que chegou a afetar duas vezes durante este mês, é o vomitar pelo esforço. Quando estou numa situação de esforço elevado, talvez um pouco acima do limite do que consigo aguentar, começo a sentir convulsões no estômago e, como aconteceu, ao abrandar o ritmo chego mesmo a vomitar. Isto chegou a acontecer num treino que fiz na ciclovia entre a Casa da Guia e o Guincho, em que, como estava algum vento, ajudava na entrada de ar quando ia contra e ajuda a empurrar o corpo, quando vou a favor. Na parte final do treino, perto da Casa da Guia, a subida tem uma distância total de um quilómetro. Sabendo disso, seria a minha "série" de um treino de corrida contínua, em que tentaria manter o ritmo que vinha a fazer na zona plana. Ao fim de 300 metros de subida começo a sentir convulsões e vomito o pequeno almoço, sendo que depois concluo o treino a ritmos consideravelmente mais lentos.

Com uma semana apenas até à prova que realizaria em Janeiro, num domingo de manhã fui fazer o meu treino longo de domingo como treino de reconhecimento da prova. Com boleia do meu pai até ao Palácio Nacional de Sintra, fiz o precurso completo até ao Cabo da Roca. Foi a primeira vez que utilizei a função do meu relógio de seguir um percurso. No entanto, com a insegurança de que pudesse funcionar corretamente, levei tambem o telemóvel com uma aplicação a correr o ficheiro GPX, para ter a certeza que estaria correto. No geral, apesar de não ser de fácil compreensão, o percurso no relógio funcionou bastante bem.


Na última semana antes da prova, não comecei da melhor maneira. Com um treino de corrida continua com corrida progressiva, devido à estrutura do treino, acabei por não o conseguir realizar até ao fim. Uma vez que, onde moro no Estoril, me encontro no alto de uma colina e à volta não tenho zona planas, realizo sempre a corrida de aquecimento e corrida final no percurso entre casa e Paredão de Cascais. A estrutura desse treino específico é que mexeu comigo, uma vez que a corrida de ritmo progressivo era no final do treino, sem nada no final. Ao tentar realizar esse treino a subir, acabei por chegar a um nível de esforço que não me permitiu continuar mais.

Além do treino falhado, em modo de estudo intensivo para os exames, nessa última semana acabei por apenas realizar mais um treino antes da prova. Prova essa, que não correu de maneira nenhuma como esperava. Pode ler-se tudo aqui.

Não foi a melhor maneira de começar o ano, espero conseguir continuar a evoluir e ter melhores prestações nas provas que hão de continuar a vir ao longo do ano.

Em Janeiro, realizei apenas um total de 13 atividades de corrida:

  • 179,4km percorridos
  • 11 633 kcal queimadas em corrida
  • 113 308 passos a correr
  • 12h19min passados a correr
  • 173 bpm médios
  • 14.6 km/h de média (4'07''/km)

Atividades de corrida:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Corrida Fim da Europa 2017

Correr do centro de Sintra até ao Cabo da Roca. O ponto mais Oeste do continente europeu. O último local em terra antes de Nova Iorque.

Há dois anos vinha fazer esta prova. Acabado de fazer 19 anos, estava a entrar a sério no mundo da corrida, a começar a fazer marcas dignas de um corredor com alguma performance. O meu recorde tinha sido estabelecido uns meses antes em 35min aos 10km, uma marca incrível! No entanto, este percurso foi interrompido no início de 2015, como descrevi na publicação feita no final desse ano (ler aqui).

Finalmente tenho a oportunidade de vir realizar a prova, a ansiedade é grande, sei que estou em muito boa forma, ainda melhor do que estava há dois anos, e estou mesmo nervoso com a potencialidade de ter uma boa classificação. A organização já não me é desconhecida, a Sport Science organiza a prova que considero ser a minha de eleição neste momento: a Lisbon Eco Marathon, sendo que eu sempre realizei a Meia Maratona Corredor Verde.

Uma semana antes da prova fui fazer o percurso, em modo de treino e reconhecimento. Tinha noção do desnível que a prova teria, afinal de tudo, é Sintra! O treino ajudou a perceber a dimensão disso, com grandes subidas no início e grande descida no final. Depois de realizar o treino fiquei, durante a semana até à prova, usei umas expressões engraçadas para descrever o percurso, que penso que qualquer pessoa que tenha realizado a prova concordará comigo:
  • porrada de 3 quilómetros no início
  • escalada vertical aos 10 quilómetros
  • precipício dos 10 até ao fim
E assim, já com conhecimento do percurso e da eventual gestão de esforço, andei a semana toda um pouco nervoso de antecipação. Em preparação para exames da faculdade, a estudar até as 3h da manhã e acordar às 12h, os meus horários estavam um pouco trocados. No dia da prova dormi cerca de 4 horas, que também não ajuda.

Uma vez que o percurso é linear, ou seja, começa num local e acaba noutro, implicaria deixar o carro num dos "cantos" da prova. No ato de inscrição, a opção escolhida foi ter autocarro a levar para a partida, que significava que seria necessário deixar o carro na zona da meta, bem cedo. Juntamente com o meu pai, cheguei lá às 8h30, tínhamos um saco com a roupa para trocar, bem como guardar a roupa quente que estava ainda vestida, que seria levada posteriormente para a meta, pela organização.

Tudo tratado de deixar o saco no local indicado, deu ainda tempo para aquecer e tratar das "necessidades pré prova" (todos os atletas saberão do que estou a falar). Com bastante tempo de ter aquecido bem, encaminhei-me para a partida 15 minutos antes da hora, para começar o máximo a frente possível. Consegui começar literalmente encostado à fita, assim não teria ninguém a impedir-me a corrida no início.

Uma outra questão que me chegou a preocupar foi o gel energético. Sendo de 17km, tem a distância intermédia entre precisar para ter energia no final, e ser curta ao ponto de não fazer diferença tomar. Optei por comprar um e tomar antes da prova, assim antecipava a "escalada" dos 10km's e sentia o efeito uns dois quilómetros antes de lá chegar. A escolha foi um Extreme da Gold Nutrition. Um gel muito (mesmo muito) agressivo, tanto a nível de energia, como de agressão para o estômago e organismo. Tomei o gel a menos de 10 minutos de começar a prova, e bebi água para diluir um pouco no estômago.

Assim que se deu a partida, tentei destacar-me. Parti logo na frente, livrei-me da garrafa de água, e acompanhei os atletas que estavam logo a puxar. Foi aí que percebi que não estava no meu dia: estava no sprint inicial e sentia que os músculos não estavam a querer puxar, não estava a sentir-me com força.

A prova começou um pouco antes do Palácio Nacional de Sintra (Palácio da Vila), pelo que só para aí passar já se apanha uma ligeira subida. Logo a seguir, começa a grande subida. Alguns atletas começam a distanciar-se, eu vou tentando acompanhar, mas a manter o esforço o mais controlado possível, sabendo que a subida ainda seria longa.

Durante essa subida uns atletas começam a destacar-se, mas ainda fui mantendo sob controlo um eventual lugar no pódio, os 3º e 4º lugar encontravam-se a uma distância segura, para as descidas que ainda faltavam. No final da subida sou passado por dois atletas e a seguir começa a descer um pouco.

Uma característica desta prova é não ter zonas planas, é tudo ou a subir ou a descer. Enquanto atleta que apenas treina em estrada, as subidas são o meu ponto fraco, como já mencionei antes. Nas zonas que aparentam ser plano e nas descidas recupero bem, consigo manter um ritmo elevado e estar a recuperar ao mesmo tempo. Nesta altura é que pensava que ainda conseguiria ter uma boa performance, passava alguns atletas que me passavam na subida. Claro que, com a altimetria desta prova, logo a seguir apareceu uma subida e eles voltavam a passar por mim, para mal acabasse a subida estar eu a passar por eles.

Assim que acabaram as zonas de subidas, cerca dos 4 quilómetros, aparece o primeiro abastecimento. A primeira garrafa ainda a deixo cair, a segunda já bem segura, mas bem fria. Apenas bebi um bocadinho, nem verti na cabeça como normalmente faço. A partir dessa altura, no pós subida, que começam a aparecer as descidas fortes, começo a sentir que a minha prestação começa a decair. Os atletas que antes conseguia ultrapassar assim que acabavam as subidas conseguiam fugir-me, não tinha capacidade para correr mais que eles. 

Uma descida forte depois e comecei a perceber que já não iria correr bem a prova, comecei a sentir tensão muscular nas costas e dificuldade respiratória. O cansaço acumulado da subida leva a uma fadiga da musculatura e a respiração torna-se mais complicada. A fadiga também impede que os músculos suportem a coluna de impactos, começando a ficar com dores, Este problema já não é a primeira, nem segunda vez que ocorre, pelo que já devia estar habituado e saber prever e antecipa-lo.

Aos 7 quilómetros, ainda a menos de metade da prova, inteirei-me do facto de que a prova já tinha ido com o car****, apenas me restava tentar chegar ao fim. Estava a correr, na descida, a ritmos de 4'10''/km, sem esforço anormal, mas sem capacidade energética de correr mais depressa, seja a que ritmo fosse.

Ao passar pelo Convento dos Capuchos, muita gente a assistir, nem capacidade tinha de acenar de volta aos incentivos e aplausos. Os atletas começam a passar por mim, em grupos de 3 e 4 de cada vez. No abastecimento dos 10 quilómetros até cheguei a parar a beber um pouco de água, sabia da subida que me esperava e já nem sentia energia para correr. Os atletas passam por mim e desaparecem no nevoeiro cerrado.

Passei o controlo dos 10km com 42min, um ritmo bom, considerando os quilómetros iniciais a subir. Depois disso veio a pior parte: 6 quilómetros seguidos a descer. 

Quando um atleta passou por mim na subida e me incentivou, fiz o esforço para correr, queria ir até ao fim a dar o meu melhor, podia ser que ainda conseguisse fazer alguma coisa de jeito. Uma pequena descida íngreme, passar junto da Peninha, e a partir daí seria uma longa descida até à estrada que dava acesso à parte final da prova. 

Assim que começou a descida senti: uma forte dor nas costas, não conseguia correr. A descida é a pior parte quando isto começa, o impacto é muito maior. Em grande sofrimento fui fazendo a descida a ritmos de 4'30''/km, locais onde sabia que na semana passada estive a correr a cerca de 3'40''/km sem esforço. Por vezes as dores eram de tal maneira que tinha de parar uns 10 segundos, espreguiçar as costas da tensão e respirar fundo, para depois retomar mais uns 3/4 min até ter de parar outra vez.

Sénior em esforço, o meu companheiro de treino
Os atletas foram passando, a distância à meta foi encurtando gradualmente. Ao chegar à estrada nacional, no acesso para a Azóia, muita gente a aplaudir e incentivar, mas já nada conseguia fazer-me correr mais. Quase sentia vontade de chorar, de frustração, de tristeza, se zangado por me ter permitido chegar a este ponto.

Dois quilómetros lentos, com mais umas 3 paragens para esticar as costas, e a parte final dá algumas tréguas à descida, mas já nem isso me consegue fazer correr mais. Muitos turistas, especialmente chineses, a gritar umas palavras incompreensíveis, e tirar fotos e ao dar por ela temos uma subida de 20 metros a passar ao lado do Farol.

150 metros a descer, a meta a frente nem me consegue levar para o sprint final. 1h12 no relógio, chego completamente abatido e logo atrás chega a primeira mulher. No entanto, chego ao fim e, com alguma amargura, constato que não há medalha finisher, nada a acrescentar para aqueles que combateram o frio e a preguiça de ficar na cama e foram fazer a prova. Não sei se esta prova é sempre assim, mas esta mesma organização, na outra prova que gosto de fazer, presenteia os atletas que chegam ao fim com uma medalha.

Nada me resta se não vestir-me e aguardar pelo meu pai. Em conversa com outros atletas constato que não fui o único a ficar surpreendido com o desnível da prova (apesar de eu já ter tido realizado o percurso em treino) e desagradado com a ausência de medalha no final.

Mas não é isso que mais me incomoda: ter treinado tanto, tanta antecipação e preparação, tendo mesmo vindo fazer o percurso para reconhecer a dificuldade, e tenho uma prestação pior que tive quando realizei em modo de treino, tendo passado de 1h08 para 1h12, uma diferença de médias de
4'11''/km para 4'21''/km.

Apenas me resta continuar a treinar, fazer mais reforço muscular de musculatura de costas e treinar a minha capacidade de subir, bem como recuperar no pós subida.

Recordo-me que, ao passar pelo abastecimento dos 10km's uma pessoa ter mencionado que me encontrava em 8º lugar, pelo que, apesar de não ter mantido controlo, estimei que tivesse acabado dentro dos primeiros 25. Na classificação final, uma vez que havia duas partidas e o resultado apresentado se baseia no tempo, fiquei classificado em 39º lugar, com 1h12min14seg.

No meu relógio, registei 16,59km, em 1h12m16s.
Voltas:
1ºkm 4'10''
2ºkm 4'49''
3ºkm 4'54''
4ºkm 4'19''
5ºkm 3'54''
6ºkm 3'30''
7ºkm 3'46''
8ºkm 4'04''
9ºkm 4'15''
10ºkm 5'20''
11ºkm 4'08''
12ºkm 4'06''
13ºkm 4'41''
14ºkm 4'30''
15ºkm 4'42''
16ºkm 4'22''
590 metros 2'37'' (ritmo 4'29''/km)

Ver registo Garmin Connect

sábado, 31 de dezembro de 2016

2016 - Melhor ou Pior Ano?

Mais um ano passa, mais um ano de vida, mais um ano de experiência, mais um "nível" que se evolui neste Jogo. Tem sido referido como um dos piores anos de que temos experiência, as situações globais continuam a agravar-se como se sabe, muitas guerras, muitas mortes, um líder global com cabelo de nylon e inúmeras figuras públicas que nos deixaram.

No entanto, em momentos de reflexão como estes, há sempre a questão que me fica: que fizemos nós, cada uma das pessoas, realmente para contrariar estes problemas? Já há muito que me conformei com a minha impotência na escala global em que vivemos. O meu mundo rege-se pela corrida e o estudo, são o meu dia a dia e nada mais me preocupa.

Faz hoje um ano foi a primeira vez que escrevi uma reflexão sobre os 364 dias que se tinham passado desde a última vez que a Terra esteve no mesmo local do Cosmos. 2015 foi um ano de muitas mudanças, em que muito se passou, mas que, no final, defini claramente aquilo que ambiciono: corrida.

Após interrupção por um período de um ano e meio, decidi retomar o plano de corridas do projeto Run4Excellence. No entanto, não correu da maneira como esperava. Pela altura do Natal, num treino do Centro de Marcha e Corrida do Porto, levei-me ao limite e acabei por ultrapassá-lo, tendo contraído uma lesão na Banda Iliotibial (ou Fáscia Lata). Sim, para o "comum dos mortais" isto não significa nada. Trata-se de uma banda grossa de tecido que se extende desde a anca, pela parte exterior da coxa, inserindo-se na Tíbia. Esta lesão impediu-me de recomeçar os treinos como teria gostado no início de Janeiro, muitas vezes provocando dores a andar, quanto mais seria a correr.

Enquanto fui melhorando, decidi escrever sobre o meu mês de Janeiro e Fevereiro. Tinha sido um pequeno objetivo a que me tinha proposto para 2016, mas que não cumpri como gostaria. Recordo-me de relatar que, na altura, enquanto estava a recuperar, treinei um total de 4 corridas em Janeiro e 12 em Fevereiro. No entanto, o que mais ajudou a recuperação foi a grande motivação para rapidamente retomar a corrida, que me permitiu realizar, em casa, bastastes treinos de força e reforço muscular dos membros inferiores.

Chegado ao fim do mês de Fevereiro, sentia que estava em condições de reiniciar os treinos. O objetivo, para já, era bastante claro: Lisbon Eco Marathon Meia Maratona Corredor Verde. A 4 meses de distância, a começar praticamente do Zero, tinha muito que trabalhar, mas a começar devagar.

A falta de treino que se observou desde que vim viver para o Estoril, em Setembro de 2015, juntamente com o frio dos meses de Inverno, provocou-me algo que nunca tinha sentido antes: a garganta a "fechar-se" e a impedir-me de respirar corretamente. A solução que arranjei foi correr com uma gola, usada para aquecer a garganta, mas a cobrir as vias respiratórias, auxiliando o aquecimento do ar que entra para os pulmões. Esta solução fui usando desde que fui tentando correr em Janeiro e Fevereiro e até ao fim de Março.

Durante este primeiro mês em que retomei a corrida, apesar de não planeado e, claramente, não recomendado, participei na Corrida do Dia do Pai no Porto. Com muita calma, com apenas 3 horas de sono e com treino de força do dia anterior, concluí a distância em 39 minutos. Esta prova acabou por ser uma vitória para mim, pois com apenas duas semanas de treino, demonstrei, especialmente a mim mesmo, que tinha capacidade de correr e que o "bichinho" ainda aqui estava.


Passada esta experiência, sabia que não podia andar a fazer isto, poderia correr mal, tendo um objetivo tão claro definido. Todo o mês de Abril foi dedicado ao treino e à evolução na corrida, preparar-me fisicamente, para começar em Maio com uma prova de trail. A Taça Ibérica de Trail, realizada em Caminha, uma das provas de trail de maior dificuldade do país, segundo me informaram, claramente a mais desafiante em que já participei. Wings for Life. Correr por aqueles que não podem, numa prova de dimensões globais e em grande diversão. Foram apenas 10km muito divertidos, uma vez que o dorsal foi oferecido.

Apesar de estar ainda em fase de evolução, correu-me melhor do que esperava conseguir, tendo terminado em 47º lugar. No dia seguinte, claramente sem esforçar, fui fazer a

Em Junho finalmente chegou a prova para que tanto tinha treinado: Lisbon Eco Marathon. Sou totalista desta prova, já fiquei duas vezes em 2º lugar. Ao contrário do ano passado, desta vez andei a treinar a sério e estava preparado. O atleta que ganhou o ano passado também lá estava, mas desta vez não me ia deixar ficar tão facilmente. No entanto, de um ano para o outro, apareceram mais atletas, com níveis de performance melhores que antes tinha testemunhado nesta prova. Corri o meu melhor, superei o atleta que ganhou o ano passado melhorado em 5 minutos o tempo que ele tinha feito. Ainda assim, apenas me permitiu um 3º lugar.
Na altura não escrevi sobre a minha experiência. Por um lado, estava claramente contente por ter conseguido, uma vez mais, um lugar de pódio, mas por outro um pouco chateado com o não ter conseguido ainda o lugar mais alto. O tempo passou e acabei por não relatar a minha experiência (ver registo).

No início do Verão comecei a fazer campos de férias em Cascais. Adorei a experiência, o trabalhar com crianças todos os dias, conhecer e interagir diariamente com pessoas novas, monitores com quem se partilha tanto que amizades fortes surgem no espaço de apenas dias. Treinar durante os Campos revelou-se outro obstáculo: um dia inteiro, a começar às 8h e terminar pelas 18h cansa mais que pensava ser possível. Chegado ao fim do dia, de maneira nenhuma vou conseguir ir treinar, o corpo não aguenta mais. Para resolver este problema comecei a ir correr antes de ir para os Campos. 5h30 toca o despertador, bebo um copo de água enquanto realizo alguns exercícios de aquecimento, para não ir correr com o ácido no estômago a chatear, e saio para treinar com o Sol a aparecer por detrás dos edifícios.

Esta solução permitiu-me ir treinando durante o Verão. No final de Julho, um pouco à semelhança da situação da Eco Marathon, corri uma prova no dia 31 de Julho que também não relatei. Corri o Trail de Santa Justa, 30km pela Serra de Valongo, foi a primeira vez que corri esta distância na montanha. A prova fazia parte do calendário objetivo da minha equipa, pelo que decidi fazer, a ver como seria, bem como dar o meu melhor para a vitória de equipas, que ambicionávamos. Com clara falta de experiência em distâncias grandes, comecei um pouco mais rápido do que deveria, tendo começado a ficar cansado logo desde o quilómetro 12, com ainda mais de metade da distância pela frente. A companhia de dois colegas de equipa preveniu a minha desistência, tendo corrido com eles mais de 30min. A partir do último abastecimento, cerca dos 23km, senti o gel que tinha tomado a fazer efeito, senti-me com mais energia e comecei a correr muito melhor. Consegui deixar os meus colegas para trás e estava a correr como nunca! Durante os 7km que restavam até à meta estive constantemente a passar atletas, a maior parte da distância curta, mas ainda uns 4 da mesma distância que eu. As subidas, que nunca foram o meu forte, fazia-as todas a correr, nada me parava. Cheguei ao fim no 17º lugar, tendo sido 1º lugar Sub23. Conseguimos, em equipa, ganhar na distância de 30km e de 15km.
Na altura não relatei a minha experiência por não saber bem como passar aquilo que sentia por ter feito, pela primeira vez, 30km e ter corrido tão bem e, associado a isso, tive uma semana de férias no Algarve logo a partir do dia seguinte (ver registo).

Férias no Algarve diferente do que normalmente seria de pensar. Penso que nunca serei capaz de pegar em 300 ou 400€ e gastar numa semana de beber e sair à noite todos os dias. As férias foram com a minha mãe, numa casa emprestada pela semana. Enquanto lá estive também acabei por ir sair com amigos, mas não no mesmo regime que as pessoas que vão apenas com amigos. Além dessa questão, durante 3 dias tinha muitas dificuldades em andar. O esforço final da corrida, o "boost" de energia que o gel me deu permitiu-me correr imenso no final da prova, mas praticamente "destruiu" os músculos. Cada passo era doloroso, descer escadas era um tormento e andar na praia uma angústia. Foi uma semana de descanso, em que apenas corri no dia de ir embora, apenas 40min.


Acabei Agosto com o Caminho de Santiago. Foi a segunda vez que fiz, o ano passado gostei tanto que quis repetir. Desta vez houve duas coisas diferentes: não fiz com a companhia do meu pai e reduzi o tempo da viagem em metade. O ano passado, o meu pai começou comigo, mas devido a bolhas nos pés foi forçado a desistir no 5º dia, mas continuei com amigos que tinha conhecido no Caminho. Isso é o que de mais espetacular tem esta experiência, as relações que se cria com tanta gente que também se encontra a fazer o Caminho. Não sou uma pessoa religiosa, faço-o, fiz, por motivações físicas, um desafio a que me propus e que quis superar, mas a experiência revelou-se muito mais que apenas física, foi espiritual, da maneira mais profunda do meu ser.

Este ano foi diferente em todos esses aspetos, com exceção de um: desafio físico. Embora o ano passado tenha absolutamente adorado a experiência, o conhecer e interagir com novas pessoas, que acabei por acompanhar até ao fim, do ponto de vista físico fiquei com a sensação que poderia fazer mais e melhor. Em vez dos 10 dias, decidi fazer em 5. Juntar cada 2 etapas das que tinha feito o ano passado, passar num albergue e continuar caminho até ao seguinte. Passar por uma cidade e não parar até chegar à seguinte. Fazer cerca de 50km a caminhar, por dia. Isto teve um problema: solidão. Era mais rápido que toda a gente, pois queria cumprir a distância ainda enquanto fosse dia, e fazia mais que toda a gente. Isso implicava passar por pessoas, cumprimentar e seguir caminho.

Posso dizer que, após bastante sofrimento, uma vez mais consegui superar o desafio a que me propus. Desta vez posso dizer que custou bastante, os pés começaram a criar bolhas, que eu nem sabia o que seria isso, os braços a ficar cansados e a mente a vaguear. Recordo-me, no meu 4º dia, a chegar à cidade de Caldas de Reis, em retas de estrada de terra, entrava num estado de transe. Não via o que estava a minha frente, apenas andava, enquanto a mente estava "apagada". Dei por mim a entrar na cidade sem me recordar dos últimos 10km. Apesar de tudo, foi uma grande experiência, que espero continuar a repetir de ano para ano.

À semelhança do ano passado, fui registando a minha experiência em cada dia:

Durante o Caminho estreei o meu novo relógio de corrida, o Garmin Forerunner 735XT. Sou um pouco obececado pelo controlo, quero saber tudo. O novo relógio que comprei permite-me ler os passos diários, registar a frequência cardíaca no pulso, analisar o sono e mostrar as notificações do telemóvel. Em corrida indica também a frequência da passada. Com a banda cardíaca, para além de uma leitura mais precisa da frequência cardíaca, é também capaz de analisar o tempo de contacto com o solo, a distribuição do tempo de contacto entre o pé esquerdo e direito, a oscilação vertical e, com as medidas mais precisas da frequência cardíaca, indicar uma estimativa de VO2Max e prever tempos para determinada distância a correr.

Com uma bateria de melhor capacidade, permitia-me registar cada dia do caminho, a nível de GPS e frequência cardíaca (não usei a banda durante o Caminho). Um pouco por brincadeira, registei-me num desafio do GarminConnect, que faz uma pequena rivalidade para ver quem faz mais passos numa semana, entre as pessoas que se inscrevem no desafio. Portanto, fiquei a saber que, os cerca de 250km que separam Porto e Santiago a pé realizei com 313 mil passos.

Após o Caminho ficaram algumas mazelas, especialmente no Tendão Tibial Anterior (tendão que "puxa" o pé para cima). Quando voltei a correr ainda fui sentindo algumas dores, durante a semana seguinte. Estava já em Setembro e queria fazer uma Meia Maratona no início de Outubro. Só na semana anterior decidi entre Lisboa e Ovar, sendo que fiquei por Lisboa, por motivos de agenda. Não foi a minha melhor experiência de organização da prova, que pode ser lido aqui. Tanto quanto me for possível, evitarei no futuro provas organizadas pelo Maratona Clube de Portugal.

Outubro foi o mês deste ano que considero que estive em melhor forma. Apesar da má organização da Meia Maratona Rock and Roll, quando estava a correr consegui correr a ritmos de 3'37''/km durante 19km. Ainda neste regime de forma física corri a Corrida Montepio, uma prova que também sou totalista e que considero como sendo a minha prova de eleição de 10km do ano. Apesar de não ter corrido bem de maneira nenhuma, consegui manter a marca abaixo dos 35min.

Nesta prova acabei por contrair uma lesão no tornozelo, no Tendão Tibial Posterior, responsável pela estabilização do tornozelo, no momento da pronação. O treino ficou um pouco limitado depois disso, tendo reduzido bastante a carga semanal, mesmo com uma prova de trail no dia 20 de Novembro. Fiz o Trail Amigos da Montanha com algum receio que pudesse piorar a minha lesão, mas com algum cuidado consegui ter uma boa prestação e não prejudicar o tendão já debilitado.

Desde essa prova que optei por não realizar mais nenhuma até ao final do ano, estando apenas focado em recuperar e evoluir, para entrar em Janeiro mais forte que nunca e ter boas prestações em 2017. Até porque, associado à lesão, o final de semestre é sempre a pior altura, tendo ficado duas semanas seguidas a sobreviver a RedBull (sim, eu sei que faz terrivelmente mal), não tendo treinado na última antes de acabarem as aulas. Durante estas férias de Natal aproveitei bem para descansar e retomar os treinos, cada vez com mais motivação.

Olhando para trás, os últimos 365 dias talvez não tenham sido os melhores que poderiam ter sido, a nível pessoal e do ponto de vista global. Apenas ambiciono por continuar a melhorar e continuar os estudos da melhor maneira. A minha maior falha talvez tenha sido, depois de proposto, não relatar as minhas experiências a cada mês. Quando retomei o treino em Março pensei no que poderia escrever, queria deixar a minha evolução falar por si mesma, pelo que acabei por não mais fazer o que comecei em Janeiro e Fevereiro.

Optei, desta vez, por não refletir sobre questões para além da corrida. Os motivos são diversos, possivelmente o principal ser a falta de motivação de mexer nessas rochas, agora que se encontram arrumadas nos seus cantos.

Entro em 2017 com um claro objetivo no curto prazo, mas ainda sem grande objetivos no longo prazo. Decidi que, tal como aconteceu em 2016, não irei realizar muitas provas. Quero evoluir e fazer provas não permite isso.

Este ano que passou, a nível de corridas, apenas foi possível pela grande paciência da minha treinadora Sofia, pelo acompanhamento que me deu a cada semana. A clara evolução deve-se sobretudo a ela e ao projeto Run4Excellence.

Tenho de agradecer profundamente a todas as pessoas que, um ano mais, me aturaram e me ajudaram. Não enumerarei, com receio de falhar alguém, mas claramente quem é saberá tudo o que fez por mim.

Em 2016, para um total de 151 atividades de corrida, percorri uma distância de 1746km em cerca de 129 horas. A velocidade média foi cerca de 13,5km/h, ritmo de 4'27''/km, queimando uma estimativa de 125 mil kcal.
No total, incluindo a aventura de bicicleta até Caminha, entre outras voltas de bicicleta, e o Caminho de Santiago, realizei 193 atividades, cumprindo 2260km em 224 horas, uma velocidade média de 10,1km/h,requerendo para isso 155 mil kcal.


Um Bom Ano de boas corridas para todos!

 Novas aventuras nos aguardam no próximo ano.



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Trail Amigos da Montanha 2016

7 da manhã, toca o telemóvel: "Carlos Daniel GT". Merda, adormeci! Tinha definido o despertador para as 6h, estava combinado encontrar-me com os meus colegas às 6h45. Vestir a correr, engolir um bocadinho de massa aquecido pela minha mãe e saio a correr pelas escadas abaixo.

Chegados a Barcelos ainda cedo, recebidos pela chuva e frio, vamos a um café comer e tratar de "aliviar" um pouco mais de peso para a corrida. Um cafezinho e um pastel de carne acabado de fazer e começa a ficar na hora da partida da prova dos 30km. A chuva não dá tréguas e à8h30 dá-se a partida da prova, com vários elementos da minha equipa a participar, eu e mais uns estávamos do lado de fora a vê-los partir. 

Daí ainda faltava 1h30 para a minha partida. Podíamos agora levantar os nossos dorsais para os 18km e depois voltamos para o café, aproveitar o abrigo da chuva e o quentinho confortável. Começando a chegar a hora da prova vou ao carro vestir-me e como uma barrita para me dar energia para a prova e alguma cafeína para despertar.

Inicialmente tinha previsto correr com uma camisola térmica, um colete de inverno e a camisola de equipa por cima. Com o frio e a falta de treino das últimas semanas devido a lesão, usei gola durante a corrida e especialmente para aquecer a garganta durante a corrida de aquecimento e esta não fechar e dificultar a respiração. Uma corridinha de 10min para aquecer e a chuva a diminuir, decidi tirar o colete, apenas iria correr com a tshirt térmica e a camisola de equipa por cima.

Encaminho-me para a partida e alinho-me na frente com os meus colegas de equipa. A partida foi rápida, deixei-me levar pelo Bruno, que foi o melhor Gaia Trail nos 18km, e fiz o primeiro quilómetro em 3'30'', tendo em conta que as sapatilhas de trail são bastante mais lentas. 

Nesta prova decidi usar pela primeira vez as Merrel All Out Peak. Recebi-as há um ano, como prémio (atrasado) do 2º lugar na Meia Maratona Lisbon Eco Marathon. Nunca as tinha usado para correr, apenas para caminhadas e uso diário, mas devido à grande intensidade de chuva e sabendo da quantidade de lama que haveria, eram a minha única hipótese.

Os quilómetros seguintes continuaram a ser rápidos, entramos em zona de mato mas que permitia correr a bom ritmo. Começou a surgir alguma lama e umas pequenas subidas. Como sou atleta de estrada, as subidas não são muito o meu forte, desgastam-me muito e impedem-me de depois conseguir correr devido ao cansaço. Tinha visto no mapa de altimetria disponibilizado que haveria duas principais subidas: uma cerca dos 6km e outra depois dos 8. 

No início ainda tentei esforçar-me para correr, mas depressa apercebi-me que não seria possível fazer as subidas sem parar. Corria o melhor que podia nas zonas planas e descidas e nas subidas fazia sempre a andar, sendo que quando o terreno ficasse um pouco mais plano começaria logo a correr. Com isto em mente, entre o 6º e o 9º quilómetro o ritmo foi bastante reduzido, tendo atingido o meu ritmo mais lento de 9'30''.

Passadas essas duas subidas comecei a correr mais rápido, a conseguir fazer ritmos de cerca de 4'/km. O tornozelo, lesionado depois da Corrida Montepio, mostrava sinais de vida, mas não impedia a corrida, pelo que me senti bem e dei o meu máximo. 

Passado o meio da prova tentei tomar o outro gel que tinha, um "Liquid Gel" que tinha sido dado a todos os membros da equipa. Tento rasgar a parte de cima com os dentes e aperto com toda a força que tenho para sair alguma coisa, o orifício que permitia a saída do gel era demasiado pequena. Ainda andei assim durante quase um quilómetro, até que começou a descer com algumas árvores pelo caminho. Com a necessidade de usar as mãos para me agarrar as árvores, coloquei o que restava do gel num dos suportes da mochila e nunca mais me lembrei dele.

Nas subidas os atletas apanham-me e passam por mim, não consigo mais que ir a caminhar. O ritmo cardíaco reduz um pouco, chega a zona plana e começo a correr. Volta a passar por eles e dou tudo o que tenho até a subida seguinte, mas o terreno que ganhei é suficiente para que não me consigam apanhar, mesmo estando a caminhar devagar nas subidas.

Quando olho para o relógio e vejo que já tenho 16km dá-me energia para continuar e puxar por mim. Começo a reconhecer algumas zonas de quando me estreei pelo Gaia Trail há dois anos nesta prova, mas a prova desta vez é diferente. Pior parte foi a chegar a uma zona de vinhas, que pelos vistos era também perto de uma ETAR. O cheiro era terrível, pensava que daí até ao fim seria apenas mato, mas uma pequena (muito ligeira) subida com lama matou-me o ritmo é vi-me a passar de 4'/km para 5'30'' durante quase 500 metros.

Finalmente saio de vez da montanha, começa a predominar o asfalto e vejo um atleta ao fundo. Este é o meu terreno, é aqui que posso recuperar algum do tempo e talvez alguma posição das que perdi nas subidas. Lentamente vou-me aproximando do atleta que vi, mas ele olha por cima do ombro e começa também a esforçar-se. De volta a Barcelos passo por um outro atleta dos 30km e entro na rua de lojas perto da meta. Já estou no meu limite e o meu rival deixou-se guardar alguma energia para o final.

Acabo a prova com 1h44, em 13º lugar. Olho para o relógio para descobrir que afinal tinha corrido mais de 19km.

Pela primeira vez numa prova de trail, não fui traído por dores de costas durante as descidas e acabei a sentir-me bem, ao ponto de ir pouco depois mais atrás e ajudar os meus colegas de equipa nos momentos finais da sua prova.

Com a minha prestação e a dos outros elementos Gaia Trail, conseguimos um 2º lugar por equipas na prova de 18km, sendo que nos 30km a equipa consegui o lugar mais alto no pódio.

Uma distância de 19,19km em 1h44min, representando uma média de 5'25''/km.
Voltas:
  • 1ºkm 3'31''
  • 2ºkm 4'04''
  • 3ºkm 4'11''
  • 4ºkm 4'32''
  • 5ºkm 5'34''
  • 6ºkm 6'32''
  • 7ºkm 7'18''
  • 8ºkm 8'40''
  • 9ºkm 9'38''
  • 10ºkm 7'38''
  • 11ºkm 4'17''
  • 12ºkm 6'17''
  • 13ºkm 4'23''
  • 14ºkm 5'00''
  • 15ºkm 4'22''
  • 16ºkm 4'07''
  • 17ºkm 4'42''
  • 18ºkm 4'17''
  • 19ºkm 4'06''
  • 190 metros 45seg (ritmo 3'59'')

Ver registo: Garmin Connect



Outros elementos de equipa para classificação de equipa nos 18km (da esquerda para a direita): Paulo Pinho 41º lugar, Bruno Santiago 7º lugar e Pedro Sousa 21º lugar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Corrida Montepio 2016

A minha prova de eleição de 10km, ir e voltar completamente plana. O meu recorde aos 10km foi aqui estabelecido em 2014, 35min. O objetivo era melhorar, eventualmente conseguir chegar aos 33min.

Ainda antes de chegar o dia da prova já tinha começado a correr bem. Apesar de no último ano não ter realizado nenhuma prova de 10km abaixo dos 35min, que me permitisse partir no bloco de partida Elite B, um mail bem argumentado, com algumas da minha capacidade física, consegui ser o suficiente para beneficiar deste bloco de partida.

Chegado o dia da prova, já com o kit de atleta levantado no dia anterior (uma viagem de que fui forçado a fazer propositadamente a Lisboa, na qual perdi mais de 2 horas), encaminhei-me com o meu pai para a Praça do Comércio, para a zona onde iríamos entregar o nosso saco e o guardariam até ao fim da prova. É esta uma pequena grande diferença numa prova bem organizada: a existência de bengaleiro para guardar os pertences.

Na mesma altura em que eu bati o meu recorde de 35min, o meu pai tinha batido o dele, baixando os 50. No entanto, uma vez que tinha sido há mais de um ano, não foi capaz de apresentar comprovativo para partir no bloco de partida sub50, tendo por isso partido no sub60, numa partida 10min depois da primeira. Com isso em mente, e de forma a tentar ter uma partida melhor, foi logo para o local da partida situada no Rossio. Por outro lado, eu sabia que tendo o dorsal para o bloco de partida Elite B não teria de me preocupar com ir tão cedo para a partida, poderia perder mais algum tempo a aquecer com calma e ir para a partida apenas 5 min antes da hora.

Até aqui tudo bem, teria uma boa partida e sentia-me em boa forma, andei a treinar desde Março para estar agora numa boa forma física e melhorar a minha marca. A prova começa e eu tento desde logo manter o ritmo a que me tinha mentalizado: 3’20’’/km. Durante os primeiros 500 metros ainda acompanhei o grupo da frente, mas sem tentar estar a manter aqueles ritmos pois sabia que me iriam desgastar, apenas mantive-me como me sentia confortável, talvez eles se tivessem a poupar para mais tarde.

Do Rossio vamos diretamente para a Praça do Comércio e, desta vez, em vez de virarmos à direita para a Rua do Arsenal e passarmos ao lado da Câmara de Lisboa, as obras obrigaram a seguirmos pelo caminho mais junto ao rio. Assim que viramos sente-se o vento, de repente toda a gente converge para o centro da estrada, a tentar apanhar o mínimo de vento possível, a “esconder-se” atrás do atleta da frente. O primeiro km já tinha passado, num tempo de 3’15’’.

Enquanto todos se tentavam manter atrás do atleta que tinham à frente, eu fui tentando passar alguns, sentia que o ritmo que tinha sido imposto naquela altura era demasiado lento para aquilo que eu queria fazer. Cometi o erro que tentar correr mais depressa, tentar apanhar um pequeno grupo de atletas que entretanto se tinha afastado. De forma a apanhar aquele grupo tive de correr até ao 3ºkm sempre com vento. Assim que os apanhei tinha em mente abrandar e recuperar um pouco (se é que se pode dizer que se pode recuperar a correr a 3’30’’/km).

Não faltou muito para me aperceber da dimensão do meu erro. Comecei a sentir dificuldade em mexer os braços, parecia que o sangue não afluía à extremidade das mãos. As pernas foram a seguir, sentia que os músculos não queriam mexer por mais que eu tentasse. Sentia os braços presos, talvez por estar a correr com uma camisola de manga curta em vez de alças, que não tem nada a "agarrar" o braço. No primeiro abastecimento foi quando fui forçado a abrandar. Olhei para o relógio e reparei que estava a correr a 3’45’’/km, senti-me desolado. Queria vir aqui para bater o meu recorde e estava a correr a ritmos que nem umas semanas antes na Meia Maratona tinha feito.

A volta estava nos 5km. Ainda foi uma distância que fiz em esforço, tentando não abrandar demasiado, mas a sentir que não estava a aguentar. Comecei a sentir o pior quando surgiu uma dor nas costas, talvez por estar a tentar repirar demasiado fundo para recuperar. Nesta altura fui passado pela primeira mulher. Ainda tentei aproveitar o grupo que seguia com ela, que tapava o vento, mas o cansaço era de tal ordem que nem assim conseguia correr.

Quando virei a favor do vento consegui ganhar um pouco de ritmo, mas ainda com bastantes dores. A única diferença aqui era observar que a maior parte dos atletas que segui à minha volta já não estava a fugir de mim, estava a conseguir manter o mesmo ritmo que eles. Assim fui andando até passar de novo pelo abastecimento, desta vez colocado ao início do 7ºkm.

Abrandei um pouco para beber água e refrescar a cabeça e senti um pequeno grupo a aproximar-se por trás de mim. Sem virar a cabeça para trás percebi que se tratava do grupo que acompanhava a segunda mulher. Uma força de motivação cresceu em mim neste momento, afinal poderia não estar assim tão mal. Comecei a acelerar, de repente já estava outra vez a baixar os 3’30’’ e a passar os altetas que me tinham passado nos últimos km’s.

Sabia o que ainda tinha pela frente, estava na zona de Santos, ainda tinha a reta até chegar ao Cais do Sodré e daí ainda seria 1km até à meta. Foquei-me apenas no infinito, não pensava na distância nem nos altetas que estava a passar, apenas em olhar em frente e controlar a respiração. Quando cheguei ao Cais do Sodré comecei a sentir algum cansaço, quase que a impossibilitar manter aquele ritmo até ao fim.

Pela primeira vez durante esta prova, colei-me a um atleta e prometi a mim mesmo que não o largaria até ao fim, ele seria a minha marca a atingir. Ainda me consegui colocar ao lado dele, mas o cansaço começava a sentir-se cada vez mais.

Estava agora de volta à Praça do Comércio. Tinha apenas de entrar na Rua da Áurea e dar a volta para passar pelo Arco da Rua Augusta. Um relance no relógio e vi os números 34:10. Será que ainda consigo chegar antes dos 35min?

Uma força surgiu em mim e, parecendo sem respirar, comecei a alargar mais a passada e a correr cada vez mais rápido. A passar debaixo do Arco senti uma sensação de vómito, estava no limite! Consegui chegar à meta com o tempo de 34:52. E como “quando a cabeça não tem juizo, o corpo é que paga”, quando parei cheguei mesmo a vomitar o resto de massa do pequeno almoço que ainda me restava no estômago.


Uma prova que continuo a considerar uma das minhas de eleição, melhorei a minha marca em cerca de 10 segundos. Não ponho em causa que seja uma marca bastante boa, apesar de tudo não é qualquer pessoa que faz os 10km em 35min, mas não me sinto realizado por isso, sabendo que se tivesse gerido, mesmo num dia de vento como o que estava, poderia facilmente ter feito 34min.

O meu registo do relógio aponta para 9,89km em 34min54seg. Um ritmo médio de 3’31’’/km (entretanto alterado para 10,0km, que indica uma média de 3’29’’/km).

Quilómetros:
1ºkm 3’16’’
2ºkm 3’21’’
3ºkm 3’26’’
4ºkm 3’38’’
5ºkm 3’48’’
6ºkm 3’46’’
7ºkm 3’40’’
8ºkm 3’35’’
9ºkm 3’27’’
890 metros 2’55’’ (ritmo 3’19’’)

Ver registo: Garmin Connect

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Meia Maratona Rock and Roll 2016


Foi para isto que treinei durante durante 7 meses: correr uma Meia Maratona em 1h16, média de 3’36’’/km. Pelo menos, era o que eu queria.

Depois de uma tarde de sábado a relembrar os campos de férias, com miúdos e monitores, sem a habitual corrida tranquila no dia anterior da prova, estava um pouco receoso com o que poderia ser a minha prestação. Acordei às 7h, ainda tinha de cozer massa, os hidratos bem necessários antes de uma prova longa.

Entre comer e preparar-me com tudo o que precisava, acabei por me atrasar um pouco. Tinha o problema de esta prova não ter bengaleiro, portanto não seria capaz de levar mochila com muda de roupa e, mais importante, telemóvel. Sabia que, enquanto atleta inscrito na prova, o dorsal me daria acesso aos transportes sem pagar, portanto a única coisa que levei foi uma nota dentro do dorsal, agarrada pelos pinos, caso fosse precisar de alguma coisa. Com o atraso de sair de casa fui a correr o meu máximo até ao comboio, mas não foi suficiente, cheguei à estação com o comboio a ir embora, tinha agora de esperar mais 20min pelo seguinte.

Entre o tempo de espera e a viagem de comboio foi uma hora até chegar a Lisboa. Não havia nada que pudesse fazer a não ser tentar relaxar, tentar não ficar nervoso e recuperar da dificuldade respiratória que se instalou depois do ritmo elevado a tentar chegar à estação rápido, sem aquecer. Pelo menos no comboio ainda consegui dormir uns 10min, sentia o cansaço, sentia cabeça pesada e uma ligeira dor de cabeça atrás dos olhos.

Quando cheguei a Lisboa ainda tive de ir para o metro. Num passo de corrida acelerado, não fosse um metro sair e ainda ter de esperar mais tempo. Ainda apanhei um outro corredor, meti conversa com ele, era um Alemão em Erasmus na faculdade de arquitetura. A viagem de metro passou mais rápido com a conversa, é sempre interessante descobrir pessoas novas, com experiências diferentes.

Chegados ao Parque das Nações a pior notícia abalou-nos: não havia mais autocarros para levar os atletas para a partida. Eram 9h35, a prova só começaria às 10h30 e a organização decidiu que não seriam necessários mais autocarros uma hora antes da prova. Sem mais nenhuma solução, fui a correr no sentido contrário da prova, até à partida. No local onde me encontrava, com mais cerca de 100 atletas, havia uma placa a indicar os 5km, portanto não teria grande problema a fazer essa distância no sentido contrário até ao local da partida. No entanto, nem isso foi permitido, pois a cerca de 2km de chegarmos, a polícia não nos permitiu prosseguir. Uma vez que os autocarros não nos levaram para a partida, seria de esperar que ao menos deixassem passar quem lá chega pelos próprios meios.

Sem mais nenhuma hipótese, ali fiquei, com o alemão e mais uns atletas. Esperamos pela partida e que os atletas da frente passassem por nós. Dei uns segundos de espaço para que os da frente ganhassem alguma distância, de forma a tentar simular o meu tempo se tivesse partido no início.

Tentei gerir o esforço desde o início, estava a tentar fazer algo que não sabia o que era nem como era, correr 21km (ou, neste caso, 19) a um ritmo de inferior a 3’40’’. A última vez que tentei fazer isto, em Setembro de 2014, comecei a ritmos demasiado rápidos e acabei por pagar forte por isso.

O primeiro quilómetro apitou no relógio: 3 minutos e 36 segundos. Perfeito, assim vou bem. Alguns atletas ainda continuavam a passar por mim, mas rapidamente ficou bem definido o ritmo e a posição de cada um.

As sensações eram novas e estranhas, já há bastante tempo que não fazia mais que uma série de 5 minutos a ritmos de 3’30’’. Os quilómetros foram passando, rapidamente saí da zona do Parque das Nações e ia em direção a Santa Apolónia. As obras complicaram um pouco o percurso, obrigando numa zona a fazer um desvio para uma rua secundária com uma pequena subida, mas inclinada. E como tudo o que sobe tem de descer, voltamos ao percurso normal passado 400 metros, era mesmo um desvio chato provocado pelas muitas obras na cidade de Lisboa.

Os apitos no relógio iam marcando o tempo de corrida, mas mais rápido do que talvez deveria, estava a fazer quilómetros a 3’30’’, vários seguidos. Como não sentia muito esforço fui mantendo, mas sempre receoso com o que poderia fazer mais tarde.

A água era bastante, a cada 3 quilómetros, nesse aspeto não tenho qualquer reclamação, especialmente num dia bastante quente. Os bombeiros também ajudavam, com mangueiras para refrescar. Em cada abastecimento, mesmo sendo bastante frequentes, bebi sempre um pouco de água e aproveitava também para deitar pela cabeça abaixo, mesmo sabendo que a roupa molhada pesava mais e limitava um pouco os movimentos.

A chegar a Santa Apolónia há uma grande subida, feita unicamente com o propósito de permitir aos carros passarem de um lado para o outro da linha de comboio. No entanto, acessos laterais permitem evitar essa subida. Já o tinha feito quando corri esta Meia Maratona e também quando fiz a Maratona. Mas desta vez não o fizeram, obrigavam a subir, que cortava completamente o ritmo e fazia subir o esforço. Nesse momento, para correr a um ritmo de 4’10’’ atingi o pico máximo de 195 batimentos cardíacos.

Depois de voltar a descer, estava a passar Santa Apolónia, onde sabia que não faltaria muito para chegar ao ponto de retorno. Nesse local, onde a prova ia já com 12km, cumpri os 10km com um tempo de 35:47, sentia-me bastante satisfeito comigo mesmo e dava-me motivação para o que ainda faltava.

O ponto de retorno era o local onde a Meia e a Maratona, que vinha já desde Cascais, se juntavam. Era também onde se encontrava o abastecimento que tinha gel energético. Um fator bastante mau era o facto de estar tudo junto, pelo que tinha acabado de pegar num gel e sem ter tido tempo para o tomar, já estava com uma garrafa na mão, ainda por cima aberta. Tentei rasgar o gel com os dentes, mas o buraco ficou tão pequeno que tinha de fazer força para que saisse alguma coisa. Mesmo tentando tapar o melhor que conseguia, a água estava a “fugir”, pelo que deitei o gel fora, bebi o resto da água e continuei a correr.

Depois do retorno tudo ficou mais complicado, o vento tinha vindo a ajudar e agora estava de frente. Fui tentando correr o máximo de tempo atrás de cada atleta da Maratona, mas estavam demasiado lentos e tinha sempre de andar de um lado para o outro. De tal maneira o vento estava mal que foi nesta altura que fiz o quilómetro mais lento da minha corrida: 3min44seg. Queria andar mais rápido que aquilo, mas o corpo já não permitia mais.

Começava a sentir a cabeça pesada, os sangue afluía as pernas e ja tudo me doía, até os braços tinham dificuldade em manter o ritmo normal. Foram vários quilómetros seguidos a ritmos de 3’40’’. Quando voltei a entrar no Parque das Nações o vento ficou ainda pior, afunilava pelos edifícios.

Nesse momento apanhei um atleta da Meia Maratona, um que me lembrava ter passado por mim no início. Tentei encostar-me a ele, eventualmente até passa-lo. Uma pequna subida fe-lo ganhar alguma distância e nunca mais consegui recuperar. Estava no final, faltavam 1200 metros para acabar. No entanto, o saber que estava a chegar deu-me alguma força para puxar um pouco mais e ainda consegui fazer o último quilómetro em 3min30seg. Era uma reta que passava em frente à Estação de Comboios, com muita gente a apoiar dos lados, a aplaudir e a puxar por nós. Sentia-me cansado, já não conseguia mais, queria parar.

Uma pequena descida e estava a 200 metros da meta, um corredor de patrocínios com o relógio a contar ao fundo. O cansaço era tal que já nem os olhos conseguia mater abertos direito. Vi o tempo a passar de 1h15 para 1h16, passei a meta 10 segundos depois. Mais uma vez, considero que este tempo seja bastante preciso com aquilo que faria, uma vez que apenas comecei a correr depois dos atletas da frente terem passado por mim e ainda ter dado cerca de 10 segundos antes de começar.

Sinto-me satisfeito pela minha prestação, os treinos deram o seu fruto, o qual agradeço à minha treinadora Sofia e a todo o pessoal do projeto Run2Improve e Run4Excellence.


É certo que não cumpri uma Meia Maratona em 1h16, a falha por parte da organização impediu-me. No entanto, o relógio contou o meu tempo e distância percorrida, naquilo que me foi permitido fazer. Foram 19km em 1h08, a um ritmo médio de 3’37’’/km.

Tempo final 1hora8min58seg, numa distância de 19,07km.
Quilómetros:
1ºkm 3’37’’
2ºkm 3’34’’
3ºkm 3’33’’
4ºkm 3’32’’
5ºkm 3’34’’
6ºkm 3’37’’
7ºkm 3’34’’
8ºkm 3’34’’
9ºkm 3’36’’
10ºkm 3’41’’
11ºkm 3’36’’
12ºkm 3’40’’
13ºkm 3’38’’
14ºkm 3’42’’
15ºkm 3’40’’
16ºkm 3’41’’
17ºkm 3’44’’
18ºkm 3’42’’
19ºkm 3’30’’
70 metros 13seg (média: 3’15’’)

Registo: Garmin Connect